A Horta Verde de Eliana

Um Profeta sem Honra

por Mike

22 de março de 2014

"E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galiléia. Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria. Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa." (John 4:43-45)


Nazaré se localiza perto da rota de Samaria à Galiléia, mas Jesus passou direto por sua própria terra, por causa do fato de que não prestavam a honra da qual precisava para uma recepção adequada da Sua palavra. Não foi que Jesus procurava reconhecimento para aumentar Sua fama ou auto-estima, mas antes, foi uma questão prática, porque a atitude deles acerca de Cristo fazia com que fosse impossível receber o Evangelho ali. A honra é principalmente uma questão de respeito. Ainda quando não concordarmos com uma pessoa à qual devemos honrar, às vezes a autoridade dessa pessoa exige obediência às suas palavras. Ainda quando isto não é o caso, devemos mostrar deferência pelas suas palavras e respeitar sua opinião como algo que ao menos merece bastante consideração. Sem dar a consideração devida à mensagem de Cristo, Suas palavras apenas cairiam em saco roto.


É difícil imaginar o que deveria ter sido viver na mesma cidade com o Filho de Deus enquanto Ele crescia. É uma fraqueza de expressão dizer que Cristo viveu uma vida extraordinária, e podemos supor a mesma coisa sobre sua mocidade. Porém, apesar de ser tão extraordinária, Ele não se exibia de um jeito que faria com que as pessoas da cidade O considerasse muito diferente do que todos os outros. O que Cristo tinha que nenhuma outra criança tinha era a capacidade de livremente escolher aquilo que é bom. Ele sempre agia de maneira justa com outras, por exemplo, e a razão que Ele tinha tal liberdade foi porque Ele nasceu com uma fé inabalável na providência de Deus Pai. Enquanto Ele ainda era muito jovem e mal sabia fazer qualquer coisa, uma coisas que Ele sabia era confiar no Seu Pai no céu. Esta liberdade também o capacitou suportar o desconforto. É claro que Ele sentia a dor e outros desgostos, mas Sua fé era tão intimamente vinculada ao domínio espiritual que as inconveniências do mundo físico deviam ter parecido secundárias e não muito importantes. Como Ele demonstrou ao lado do poço (Jo 4:32), estava livre de pôr a fome e outros desconfortos ao lado em nome do dever e da bondade. Portanto, como uma criança, Ele teria tido uma capacidade incrível para suportar coisas que ninguém mais poderia. Porém, o que faz esta habilidade ainda mais extraordinária é que ele não a ostentava. Nosso Senhor sempre se comportava de uma maneira modesta e humilde, então, embora Ele tivesse tanta fé e uma medida plena do Espírito Santo (Jo 3:34), Ele não se destacava muito (Is 53:2).


Então na própria terra de Cristo, eles não O deram a honra da qual Ele precisava para praticar seu ministério entre eles. Ele simplesmente não cabia na suas conceituações de como seria o Messias. É difícil imaginar um menininho, que ainda não sabe andar bem, tendo toda a autoridade do céu atrás dEle. Na sua mente, eles não conseguiram desassociar Jesus das lembranças da criança que às vezes não demonstrou um entendimento básico dos detalhes da vida, o filho do carpinteiro que teria que ser mostrado como segurar um martelo, por exemplo. Portanto, Jesus passou direto para a Galiléia ao invés de retornar ao seu lar em Nazaré. Não foi uma questão de não ter o amor pelas pessoas da sua própria cidade, mas antes, foi simplesmente uma questão da futilidade de tentar pregar àqueles incapazes de ouvir por causa das noções preconcebidas.


Na Galiléia, as pessoas tinham voltado da Páscoa em Jerusalém e tinham visto os milagres que Ele fazia ali. Então diferentes das pessoas de Nazaré, elas reconheceram Sua autoridade. Por causa disto, elas ao menos escutariam às Suas palavras. De fato, o tamanho das multidões nos mostra que não conseguiram assistir seus sermões o suficiente. Porém, até na Galiléia, os problemas da falsa percepção surgiriam. O problema ali foi que muitos interpretariam de modo erróneo como Sua autoridade tinha que ser utilizada. Eles sabiam que Ele foi enviado por Deus, mas também tinham noções preconcebidas que as cegariam de enxergar o propósito verdadeiro do ministério de Cristo. Portanto, assim como as pessoas de Nazaré, os pressupostos as impediriam de adequadamente receber Sua mensagem.


O problema com pressupostos é que eles são por definição aquilo que cremos antes de todo o mais. Em outras palavras, eles são aceitos antes de fazer qualquer outra avaliação, porque os consideramos tão fundamentalmente verdadeiros que geralmente não vale a pena reconsiderá-los. Portanto, quando as palavras de alguém contradizem nossos pressupostos, é quase sempre o caso que as palavras são interpretadas de modo que nem sequer questionamos nossos pressupostos. Havia uma crença comum entre os judeus que no tempo que o Messias viria, Ele conduziria Israel das mãos dos seus inimigos. Este foi o pressuposto de muitas das pessoas na Galiléia, e parece que foi o pressuposto de Pedro também quando ele confessou que Jesus era o Cristo (Mt 16:16). Então, quando Jesus começou a falar sobre Sua morte e ressurreição, Pedro respondeu, "Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso." (Mt 16:22) Talvez Pedro pensou que Jesus estava instigando-os a fazer outra confissão que exaltaria seu reino terrestre que imaginavam. De qualquer jeito, Pedro reinterpretou a intenção real de Jesus para encaixar bem com seus pressupostos. Respondendo, Jesus o admoestou mais severamente do que qualquer outra pessoa: "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens." (Mt 16:23)


Como nós interpretamos as palavras de Cristo ou a Palavra de Deus em geral é determinado por nossos preconceitos, e é tão natural fazer isto sem pensar que estamos cegos, por assim dizer, para nossas interpretações corruptas. Desvencilhar-nos dos preconceitos requer a oração para que o Espírito Santo possa iluminar nossas mentes ao significado verdadeiro das Escrituras e livrar-nos de qualquer orgulho que possa impedir-nos de perceber nosso erro. Também é importante continuar procurando a verdade de Deus e nunca pensar que podemos conhecer demais a respeito da Sua natureza. Nós precisamos honrar a Palavra de Deus não somente por reconhecer sua autoridade mas também por uma aceitação humilde da intenção verdadeira daquilo que Deus quer comunicar conosco. Desta maneira, podemos evitar a armadilha à qual muitos dos galileus sucumbiram de procurar os milagres sem procurar a pessoa de Cristo.

Dois Dias com Jesus

por Mike

15 de março de 2014

"E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito. Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra. E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo." (Jo 4:39-42)


O Evangelho continua a espalhar-se na Samaria. Primeiro Jesus o compartilhou com a mulher, e agora ela está compartilhando-o com as pessoas da sua cidade. O testemunho dela é que Jesus lhe contou tudo quanto ela tinha feito. Isto mostra a presença ubíqua de Deus, que sempre está conosco e sabe tudo quanto nós dizemos e fazemos. Ele também sabe nossos pensamentos e motivações melhor que nós mesmos (Sl 139:1-6, 1Cr 28:9). Algumas respondem a tal presença com medo, e é comum do homem tentar excluir Deus da sua vida, negando que Ele existe e criando seu próprio deus para tomar o lugar dEle. Os samaritanos, por outro lado, parecem encantados pela notícia. Tendo passado suas vidas afastados da presença de Deus, eles estavam felizes por ter a oportunidade de conhecer o Messias. Porém, a diferença real entre os samaritanos e os gergesenos (Mt 8:34), por exemplo, não foi sua cultura ou seu ambiente social. O que realmente fez a diferença foi sua fé no testemunho da samaritana. Ao chegar lá e conhecer Jesus finalmente, eles não se satisfizeram com tão pouco tempo com Ele e rogaram que ficasse com eles por dois dias.


Tendo ouvido isso, pode-se imaginar como seria maravilhoso passar dois dias com Jesus. Deve ter sido excelente observar todos os gestos e maneirismos dEle. Dentro de dois dias, pode-se conhecer muitas coisas a respeito de uma pessoa, e é claro que foi um episódio que os samaritanos iam estimar pelo resto das suas vidas. Porém, temos que lembrar que Jesus está de fato conosco também. Sendo a segunda Pessoa da Trindade, Jesus possui todos os atributos divino, inclusive onipresença. Todavia, isto é um assunto muito misterioso para nós, porque todos os Membros da Trindade estão sempre presentes, mas pode-se entender a maneira da sua presença em sentidos diferentes. A respeito de Deus Pai, geralmente se pensa que esteja no Seu trono no céu, mas ao mesmo tempo, aqueles que receiam o julgamento divino precisam de toda espécie de maquinação e auto-engano para tentar fugir da Sua presença. Em outro sentido, apesar do fato que um incrédulo realmente não pode fugir de Deus, ele pode estar muito afastado num nível pessoal (Ef 2:13,1Pe 3:18). Jesus também parece estar ou próximo ou longe, dependente de como você olha. Agora Ele está à direta do Pai no céu, mas Ele disse, "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mt 28.20). Sobre a terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo foi enviado para ser nosso Consolador (Jo 14:26), então podemos esperar que Ele esteja sempre presente. Porém, isto não impede a possibilidade do crente resistir à Sua presença (1 Ts 5:19, Ef 4:1). Mesmo que sintamos afastados dEle, devemos lembrar que Cristo prometeu que o Espírito Santo nunca nos abandonará (Jo 14:16).


Embora estas coisas sejam misteriosas e podem parecer um pouco contraditórias, deve-se lembrar que não há uma contradição desde que a palavra "presença" possa ser entendida em vários sentidos. Deve-se lembrar também que Deus é espírito e Senhor sobre Sua criação. Consequentemente, Ele não é limitado pelas leis físicas da Sua criação, que inclui o espaço. Então o espaço é sujeito a Deus ao invés de Deus sujeito ao espaço. Portanto, para compreender o conceito da presença de Deus, convém recorrer à analogia. O funcionamento da mente humana às vezes pode fornecer as melhores ilustrações para o domínio espiritual, porque a mente também é independente das limitações do espaço. Como disse Blaise Pascal uma vez, "Pelo espaço o Universo me agarra e me engole como uma partícula; pelo pensamento sou eu que o agarro." Isso não quer dizer que o domínio espiritual procede como a mente, mas antes que pode proceder de uma maneira analógica. Nós realmente podemos descobrir nada sobre o domínio espiritual além daquilo que Deus tem revelado, mas pela analogia, podemos ao menos livrar nossos pensamentos do ponto de vista materialista. Dito isto, é fácil ver que a presença de Deus não deve ser entendida no sentido físico de distância. Assim como os objetos da mente não são sujeitos às limitações de distância, Deus não está mais distante de qualquer um dos nossos pensamentos. Todavia, em outro sentido, Deus pode estar longe de nós do mesmo jeito como memórias antigas. Pode ser que ainda guardamos tais memórias, mas elas têm sido relegadas para uma gaveta escura da mente tão afastada que durante muito tempo elas não atraíram nossa atenção. Portanto, quando oramos a Deus, devemos mantê-lo em nossos pensamento como se faz na conversa com qualquer pessoa. Mas não somente isto; a presença de Deus pode estar ainda mais iminente se nós, por meio de um desejo genuíno para a intimidade, cultivamos um relacionamento de amor e interesse.


É importante lembrar que a presença física por si só não faz um relacionamento. Milhares de pessoas observavam Jesus andando entre elas dois mil anos atrás, e muitas delas eram as mesmas pessoas que clamaram para que Ele fosse crucificado. Então, ver Jesus na carne como viram os samaritano verdadeiramente foi uma bênção, mas Sua presença física por si só não provia benefício algum para os israelitas que na sua cegueira rogaram para a execução de Jesus. A presença de Cristo tem que ser mais do que uma presença experimental tal como aquela que temos ao passar por outras pessoas na rua. Podemos estar na mesma sala com outra pessoa sem qualquer conexão pessoal. Não há proveito algum em simplesmente estar perto de uma pessoa quando sua mente está vagueando, fixada em outras coisas. É como se a outra pessoa não estivesse ali. Tão dispostos como estavam os samaritanos para conhecer Jesus, eles provavelmente usufruíram uma comunhão com Ele que foi além do bate-papo comum. Pode-se imaginar que eles aprofundaram o melhor possível para minar as profundezas da Sua personalidade divina.


Diferentemente dos samaritanos, nosso relacionamento com Cristo deve ser exclusivamente baseado na fé, e nossa comunicação com Ele é principalmente por meio da oração e da leitura da Bíblia. A primeira coisa para entender sobre a fé é que não é um sentimento. O sentimento pode acompanhar a fé, mas a fé em si mesmo é a ausência de qualquer espécie de estímulo que pode engatar a vontade, mas o que faz com que a fé seja tão poderosa é que a fé de fato engata a vontade apesar da ausência de qualquer tipo de estímulo. Em outras palavras, ela nos impulsiona à ação, e sabemos que temos a fé ao percebermos que nossa crença na Palavra de Deus está dirigindo nossas ações sem influências mundiais. Por mais simples que pareça, é realmente o cerne do assunto e nos instiga a questionar a verdadeira natureza do homem. Desde que o pecado tem entrado no mundo, a humanidade se tornou muito destra no auto-engano para assegurar nosso futuro eterno. Todo nosso destino depende desta única questão de saber se temos a fé ou não. Desde que precismos dela tão desesperadamente, temos tanto mais razões para fazer com que acreditemos que a temos apesar de que realmente não a temos. Para conseguir isto, praticamos diligentemente uma religiosidade aparente, pensando que toda a atividade por si só é evidência certa da nossa fé. A atividade religiosa pode ser evidência genuína da fé ou pode ser simples auto-engano. Quando é auto-engano, sempre existe algum galardão mundial escondido abaixo da superfície para recompensar o hipócrita por seu tempo. A recompensa mais comum que os homens procuram é o reconhecimento dos outros. Jesus ensinava, "Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens." (Mt 23:5)


Consequentemente, a melhor maneira para descobrir a evidência da fé na sua vida é praticar suas obras em segredo, e isto é uma das coisas que faz a oração tão perfeita. Jesus nos instruiu a esconder-nos do resto do mundo quando orarmos, para que ninguém saiba (Mt 6:6). Isto ajuda eliminar a possibilidade de alguma espécie de recompensa mundial. Então veja se pode passar dois dias apenas conversando com Jesus como os samaritanos. Isto não é uma prova incontestável, mas é um modo de explorar seus motivos e descobrir se eles são baseados numa crença que você está realmente falando ao seu Senhor. É claro também que não basta apenas falar a Jesus; temos que ouvir o que Ele tem a dizer-nos. Assim como os samaritanos não ficaram satisfeitos só com o testemunho da mulher, eles precisavam ouvir as própria palavras de Cristo. Do mesmo jeito, quando nós estamos em comunhão com Deus na oração, precisamos também ler Sua Palavra para descobrir o que Ele tem escolhido para revelar à humanidade sobre Si mesmo, e precisamos confiar no Espírito Santo a mostrar-nos como as Escrituras podem ser aplicadas à nossa situação específica.


Jesus disse, "Bem-aventurados os que não viram e creram." (Jo 20:29) A vantagem que nós temos sobre aqueles que experimentaram a presença física de Cristo é que sem as distrações dos detalhes físicos, estamos mais conscientes da necessidade de estabelecer um relacionamento num nível mais profundo e espiritual. Enquanto esse relacionamento cresce e fica uma realidade sempre presente, não podemos evitar de refleti-lo em nossas vidas. Toda decisão que exprime a direção das nossas vidas anunciará ao mundo que nossas esperanças são vinculadas às coisas eternas além deste mundo provisório. Isto é a maneira principal que Deus tem escolhido para ser glorificado pelo homem. Se nossa fé é real, devemos ser como os samaritanos que passaram tanto tempo quanto possível com Jesus. "Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso." (1Pe 1:8) Portanto, a evidência mais básica do crente verdadeiro é a quantidade de tempo que passa na oração, exercitando sua fé e fortalecendo-a. Enquanto sua fé cresce, permeará todo aspecto da sua vida para que o mundo não possa evitar de reconhecê-lo como um verdadeiro filho de Deus.

Campos Brancos para a Ceifa

por Mike

08 de março de 2014

"E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?" (Jo 4:27)


Os discípulos se admiravam que Jesus colhia almas num campo no qual eles consideravam indigno para entrar, muito menos para recolher seu fruto. Porém, vendo o mundo noutra perspectiva, Jesus achou valor real nesta colheita. Deus escolhe ser glorificado por realizar Sua obra onde menos se espera, para que seja muito evidente que é Sua obra e não a obra do homem. Que judeu, por exemplo, esperaria ganhar prosélitos entre os samaritanos visto que havia tanta animosidade entre as duas culturas? Deus, todavia, é o Deus de milagres. Ele pode mudar os corações do povo mais intransigente, aqueles que se envolviam mais profundamente nos pecados do mundo ou são os menos dispostos às coisas de Deus. Então, é um erro julgar de antemão a respeito daquilo que Deus pode ou quer fazer, porque Seu plano sempre será nos surpreender com Seu poder, Sua misericórdia e Sua sublimidade. A glória de Deus é exemplificada com a grandeza maior em pessoas como a samaritana, que depois de receber tal misericórdia inesperada, abandonou seu cuidados mundanos e se dedicou plenamente às coisas de Deus.


"Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo? Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele." (Jo 4:28-30)


Quando o safreiro golpeia com o foice, ele corta o grão da haste, soltando-o dos seus laços com a terra e livrando-o para ser levado pelo vento. Quando nós estamos movidos pelo Espírito, a primeira coisa que acontece é que nossos laços com o mundo são cortados. Isto não quer dizer que devemos abandonar todas nossas obrigações, mas que muitos dos nossos compromissos e planos perdem sua importância ao vê-los de uma perspectiva eterna. Ao deixar seu balde atrás, a samaritana foi levada por um chamado superior do alto. Quando nossa visão do mundo muda e recebemos novas motivações para nossas ações, nos achamos não só fazendo coisas diferentes mas também livres para fazê-las de uma maneira que de outro modo não seríamos capazes. Talvez a mulher nunca tenha feito antes algo como deixar seu balde atrás. Talvez ela sempre esteve muito cautelosa com todas as suas tarefas, e agir daquela maneira parecia de forma completamente atípica para ela. Porém, é assim que a nova liberdade em Cristo pode dar expressão no entusiasmo inicial do momento. Motivações novas nos livram dos nosso laços velhos que determinaram nossas ações, e a obra de Deus em nossas vidas nos capacita para fazer o que Deus nos chama a fazer e o que nossa alma realmente almeja fazer. Toda a humanidade naturalmente reconhece a superioridade do comportamento bom, mas nossas tentativas normais para viver segundo os padrões de Deus inevitavelmente fracassam. Qualquer inclinações que temos para o bem são ultimamente sobrepujados pela corrupção do nosso estado caído.


O testemunho da mulher era contagiante entre os samaritanos. Eles podiam perceber que o comportamento dela era realmente atípico. Às vezes é muito óbvio que nada menos do que o poder de Deus pode mudar nossa disposições de tal modo. A mulher não necessitava de argumentos detalhados ou razões complicadas para convencê-los. Seu entusiasmo a respeito da nova esperança que fora despertada na sua alma transbordava e efetuava todas as expressões e todos os gestos dela. Presenciar tal obra maravilhosa de Deus no coração dela acalentou uma esperança nova entre os outros samaritanos. Como ela, eles passaram suas vidas sendo considerados párias imundas pelos judeus, mas agora parecia como se houvesse a possibilidade de salvação para todos eles. Talvez isto era uma possibilidade que eles nunca imaginaram, então não havia outra alternativa além de largarem tudo o que faziam e procurarem descobrir mais sobre aquilo que atiçou uma reação tão poderosa na mulher. Quando Jesus se empenha na colheita, Suas golpes são amplos.


"E entretanto os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer? Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra." (Jo 4:31-34)


Ao chegar no poço, Jesus estava cansado da jornada e precisava de sustento. Seus discípulos provavelmente estavam igualmente cansados e tinham partido para a cidade para comprar comida para reconstituir sua energia. Porém ao voltar, Jesus já não mais demonstrava interesse na comida. Seus discípulos ficaram surpreendidos de modo que era semelhante à surpresa dos samaritanos ao testemunhar o comportamento da mulher. Como ela, Jesus não agia como se espera. Talvez os discípulos estivessem famintos da jornada e precisavam de alimentação, e Jesus simplesmente respondeu sem interesse. Sua resposta foi que Ele tinha comida da qual eles nada sabiam. Nós sabemos que Ele não comeu, então Ele deve ter falado da alimentação espiritual e satisfação que acompanham o trabalho de Deus. Assim como o poder de Deus pode avivar aqueles despertados à esperança do Evangelho, assim também podemos às vezes experimentar o poder de Deus atiçando em nós a renovação espiritual que acompanha o compartilhamento do Evangelho (Is 40:31). Esta é a comida espiritual que deve servir para manter nossa motivação para continuar no Seu serviço. Porém, se não sentíssemos o poder revigorante que vem de tal sustentação, devemos continuar em fé, sabendo que Deus proverá para todas as nossas necessidades segundo os ditames da Sua providência.


"Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa." (Jo 4:35)


Jesus chama os discípulos para achar sua motivação não somente no sentido de satisfação espiritual mas também por um sentido de dever. Os campos estão brancos para a ceifa, e se os trabalhadores não cumprirem seu dever, a colheita será perdida. Portanto, às vezes é necessário deixar de lado nossas aspirações pessoais e arregaçar as mangas.


Todavia, pode haver um conflito real aqui ao estarmos ordenados a deixar de lado nossas necessidades básicas como a comida. Todos nós gostaríamos de bancar o herói e suportar toda espécie de dificuldade para fazer a coisa certa, mas ao surgir realmente a ocasião que somos chamados ao dever, imediatamente lembramos como desagradável pode ser a dificuldade. Uma coisa é ler ou sonhar sobre sacrifício, mas é completamente diferente experimentá-lo. Por isso, pode ser muito difícil predizer com certeza o que faria-se numa situação aflitiva. Por muito que gostaríamos de acreditar que resistiríamos a tentação e suportar toda espécie de sofrimento para fazer o que é certo, muitas vezes agimos contra nosso melhor juízo quando a provação surge. Ao sermos chamados ao dever ou postos à prova, estamos realmente confiantes acerca da nossa obediência? É melhor responder humildemente que não. O orgulho procede a queda. "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia." (1Co 10:12). Ao enfrentarmos a situação com humildade, percebemos que somos completamente incapazes de suportar tais provações por nosso próprio poder. Nosso dever é trazer glória a Deus, e se for algo que possamos conseguir só por esforço humano, apenas serve para glorificar a nós mesmos. Portanto, sempre será o caso que para cumprirmos nosso dever e vivermos a vida cristã como Deus pretende, devemos sempre buscar a comida espiritual da qual Jesus falou. Por atendermos ao meios da graça, lermos a Bíblia, oração e ouvirmos sermões, etc., podemos estar renovados pelo poder de Deus. Ele pode sustentar-nos em nossa fé e poder para que sejamos os servos obedientes que Ele deseja.


"E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho." (Jo 4:36-38)


Há galardões celestiais para aqueles que cumprem seu dever perante Deus, e o assunto de galardões e recompensas devem receber bastante atenção como uma parte essencial da vida cristã. O Sermão do Monte é a exposição mais detalhada no Evangelho sobre como viver como um cristão, e nele Jesus menciona galardões seis vezes. Por muito que gostaríamos de bancar o herói que não precisa de recompensa alguma para fazer seu dever, temos que ser honestos conosco mesmos e perceber que a vontade humana é impulsionada por motivações tais como galardões. A vida cristã é uma vida de fé, e a fé precisa de um objeto. Devemos direcionar nosso foco em esperanças celestiais para que nossa alma esteja ancorada em algo duradouro. Não podemos ter apenas algum tipo de fé abstrata sem objeto real como um caçador abstrato que só fala em caçar mas nunca mira seu rifle. Antes, devemos mirar nossa fé para algum alvo tal como recompensas e as promessas de Deus, porque de outro modo não estamos realmente exercitando a fé, e sem fé não podemos agradar a Deus, e nem podemos trazer qualquer glória ao Seu nome.


Os discípulos aqui encontrarão uma multidão de samaritanos desejoso de aceitação e de uma esperança na qual mal podiam sonhar. Então, os discípulos ceifarão uma colheita das sementes que Jesus tem semeado, e além do seu galardão celestial, receberão a gratificação imediata de pessoas dedicando-Lhe suas almas. Tal gratificação pode prover a motivação para sustentá-los no seu ministério durante muito tempo, mas nem sempre acontece assim. Muitas vezes as pessoas semeiam sem jamais ver qualquer resultado terrestre. É claro que devem continuar na sua obediência em fé, mas ao fazer isto, elas devem lembrar-se que a fé que as sustenta é o poder de Deus nas suas vidas. O homem natural não pode continuar muito tempo no serviço de Deus sem alguma recompensa terrestre, então viver por fé é a única maneira que podemos glorificar a Deus em nossas vidas.


Aplicação:


Já fez alguma coisa no serviço de Deus que surpreendeu as pessoas porque foi de forma tão atípica a você? Foi alguma coisa que pode-se facilmente explicar como o resultado da sua ambição ou desejo para reconhecimento? Seu serviço traz a glória ao seu nome ou ao nome de Deus? Deus nos chama para viver vidas de forma atípica a nós. Ele quer que nós ultrapassemos nossas limitações humanas e nos comportemos de uma maneira que manifeste Seu poder em nossas vidas para que Ele receba a glória. Como isso é possível? Por nosso próprio esforço, simplesmente não é possível. A única maneira que tais coisas possam ser realizadas é pela iniciativa de Deus mesmo. Nós devemos atender aos meios da graça e humildemente pedir que Ele conceda tal graça sobre nós para que nos tornemos instrumentos da Sua justiça e glória.

Espírito e Verdade

por Mike

22 de fevereiro de 2014

"Jesus lhe disse, 'Vai, chama teu marido e vem aqui.' A mulher respondeu e disse, 'Não tenho marido.' Jesus lhe disse, 'Disseste bem, "Não tenho marido," pois tiveste cinco maridos, e aquele que tens agora não é teu marido. Isso disseste com verdade.'" (Jo 4:16-18)


Dos versículos prévios, sabemos que Cristo tem estabelecido um diálogo pessoal com a samaritana, caracterizado pelo respeito comum e a simpatia que devem caracterizar todos nossos relacionamentos. Em seguinte, Ele tratou da necessidade humana da vida espiritual, uma necessidade que é tão básica com a própria água, e Ele indicou que o Evangelho pode satisfazer essa necessidade por toda a eternidade. À esta altura, Ele apresenta a próxima questão importante que é a do pecado à luz da verdade. Nossa alienação de Deus é acompanhada por uma alienação da verdade, e antes de sermos reconciliados com Deus, temos que confrontar a verdade e estar honestos a respeito dos nossos pecados. Nossa natureza caída não só envolve uma capacidade diminuída de raciocinar e perceber a verdade, nossa disposição pecaminosa também nos inclina a ativamente suprimir a verdade (Rm 1:21-23). Pode-se considerar isto o resultado da fuga intelectual da ira de Deus bem como um abraço das trevas devido ao nosso amor inato pelo pecado (Jo 3:19).


Quando Cristo apresenta o assunto do marido da mulher, Ele está referindo à santa lei de Deus como inicialmente revelada no jardim de Éden (Gn 2:24). Deus tem revelado Sua lei na natureza (Sl 19:1-3) e em nossa consciência (Rm 2:14,15), mas a revelação mais clara é encontrada na Sua Palavra escrita. A vontade revelada de Deus é o único ponto de partida válido para indicar o caminho para um relacionamento eterno com Ele. As ciências empíricas revelam nada além de matéria e energia impessoais, então a visão materialista do mundo não pode dar qualquer indicação que tal relacionamento pessoal é possível. Usar tal visão do mundo como o ponto de partida ao compartilhar o Evangelho pode dar a impressão de aceitar por válido a negação deles de como o mundo realmente é, e ao concordar em começar assim, é muito difícil trocar depois pela visão correta do mundo. Com materialismo como seu ponto de partida, nenhuma quantidade de lógica, evidência ou argumentação pode levar à conclusão que o Deus do amor tem provido um caminho de esperança para a humanidade dos seus pecados e miséria. Portanto, Jesus começa por mostrar a samaritana que o único caminho para a esperança se encontra na Palavra de Deus.


Isso não quer dizer que a revelação de Deus na natureza não pode ser um ponto de partida, mas ao invés de uma visão impessoal da natureza deve ser uma visão da natureza como a criação de Deus, cheia de beleza e maravilhas e habitada por pessoas que riem e choram, importam-se com a vida, amam e têm um senso do certo e do errado. Uma visão consistente de materialismo não pode explicar nenhuma destas coisas. Se os materialistas são fieis às suas crenças, pode falar apenas a respeito do que é e nunca do que deve ser. As regras da lógica não permitem conclusões éticas sem começar com premissas éticas. Então, para os cristãos alcançarem tais conclusões, temos que começar com uma visão do mundo que reconhece a índole pessoal da criação e revelação de Deus. Deus é a única origem verdadeira de premissas éticas, porque Sua natureza é a base de toda a bondade, só Ele tem a autoridade de criar e exigir obrigações éticas. Uma eternidade de relações interpessoais entre as três Pessoas da Santa Trindade provém a única explicação válida pela origem da moralidade, da beleza e do amor.


"A mulher lhe disse, 'Senhor, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que o lugar onde se deve adorar é em Jerusalém.'" (Jo 4:19,20)


A mulher afirma que a humanidade tem um dever de adorar a Deus. A palavra grega que ela usa é proskunein (προσκυνεῖν) que literalmente quer dizer "beijar para," então significa prostrar-se e beijar o chão em reverência. A Bíblia nos ensina que a primeira prioridade do homem é glorificar a Deus, mas para fazer isto, temos que saber que tipo de adoração Deus exige de nós. Como a mulher menciona aqui, os judeus têm criticado as práticas samaritanas por ser ilícitas e desagradáveis perante Deus. Ela reconhece Jesus como profeta e deseja a água viva que Ele oferece, mas tudo isto pode ser debalde se os samaritanos são sempre excluídos de poder adorar Deus numa maneira agradável. Sendo os samaritanos tão desprezados como eram, ir para Jerusalém para oferecer sacrifícios estava fora da questão, então como foi possível terem um relacionamento com Deus se estavam repelidos ao tentar participar na adoração lícita?


"Jesus lhe disse, 'Mulher, acredita-me, que a hora vem quando nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos, porque a salvação é dos judeus. Mas a hora vem, e é agora, em que os adoradores verdadeiros adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura tais adoradores dele. Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorar em espírito e em verdade.'" (Jo 4:21-24)


Isso foi o alvorecer de uma nova era quando o Espírito de Deus estaria derramado sobre todos que invocassem Seu nome, seja judeu ou gentio (Jl 2:32, Is 60:2,3, Ez 37:5) com as diferenças de raça postas à parte (Gn 12:3, Sl 22:27, Os 2:23, Ef 2:16-18), e a Palavra de Deus seria espalhada pelo mundo inteiro em todas as idiomas da humanidade (Dt 4:6, Sl 67:2, Is 66:18). Estas coisas foram previsto há muito na Palavra de Deus que fora transferida pelas gerações na nação de Israel. Os princípios da adoração também foram passados de geração a geração entre os judeus, e prestavam como sombras das coisas vindouras (Cl 2:17) para serem cumpridas na obra de Jesus. O sacerdócio antigo e o templo passariam, porque Jesus ia tornar-se nosso Sumo Sacerdote no céu, intercedendo por nosso benefício. Tais coisas como estas e muitos outros princípio da adoração não podiam ser conhecidas de modo algum simplesmente pela revelação de Deus na natureza, mas antes, pela revelação na Sua santa Palavra. Isto foi uma das bênçãos que Israel recebeu como descendentes de Abraão (Rm 9:4), e sendo possuidores da Palavra de Deus era uma parte no seu orgulho nacional.


Portanto, vemos que Deus nos tem falado em várias maneiras. Ele tem revelado Sua verdade através da natureza, da nossa consciência, da Sua Palavra escrita, dos Seus profetas, e aqui Jesus, o próprio Filho de Deus, está revelando as maravilhas de Deus à samaritana. As pessoas estão acostumados a não apreciar o significado pleno disto, e isto é devido principalmente ao fato que a inclinação natural do homem é suprimir a verdade. Porém, o significado pleno da revelação de Deus é que ela apenas vem como um dom de Deus. Não é uma coisa que podemos descobrir pelo poder da nossa razão, e ainda a verdade de Deus como revelada na natureza é mal percebida pela mente não regenerada. Embora a verdade seja brilhante na sua glória, o incrédulo a vê como nebulosa e indistinta. Ele geralmente está muito ocupado evitando a lei de Deus para ganhar algum benefício prático dela.


Ao considerarmos a verdade de Deus revelada na natureza, temos que ter cuidado com imaginar que é algum tipo de maravilha científica como tantas outras coisas, com os anéis de Saturno, a bolsa do canguru, ou abelhas que são tão gordas que os físicos não podem explicar como elas podem voar. A verdade de Deus não é uma curiosidade encontrada na natureza, mas antes, a natureza é uma curiosidade encontrada como uma expressão da verdade de Deus. O domínio espiritual não é encontrado dentro de, sobre ou ao lado do mundo material, mas antes, o mundo material é uma criação dentro do domínio espiritual. A verdade de Deus é eterna, enquanto o mundo criado está passando (Mt 24:35). O mundo é só uma maneira provisória para prover um contexto para nossas vidas, mas a realidade fundamental é nosso ser espiritual que tem uma existência independente do mundo material que Deus criou (Is 51:6). O que é realmente importante é o domínio espiritual, e não temos maneira nenhuma para saber coisa alguma a seu respeito senão como revelado no dom da Palavra de Deus, concedida a nós como um ato de graça. É esta revelação que pode libertar-nos da nossa perspectiva limitada deste mundo provisório para que possamos contemplar as coisas eternas que são realmente importantes. É com esta contemplação que devemos olhar para Deus e reconhecê-lo em toda Sua magnificência moral. E é com esta perspectiva que os adoradores verdadeiros de Deus se reunirão para adorá-lo e cantar Seus louvores. Nós devemos adorar Deus em espírito e em verdade, e isto é só possível através da fé.


"A mulher lhe disse, 'Sei que o Messias vem, que é chamado Cristo. Quando ele vier, proclamará-nos tudo.' Jesus lhe disse, 'Eu o sou, eu que falo contigo.'" (Jo 4:25,26)


A mulher samaritana tem uma centelha de esperança na sua reivindicação como descendente de Jacó e na sua expectativa do Messias vindouro, mas na maioria das veze, ela as vê como vagas e distantes. Como em tantos outros dias como este, a mulher estava simplesmente buscando água do poço, e como muitos de nós, ela estava apenas matando seu tempo. Em termos gerais, não sabemos realmente mais o que fazer além de só continuar vivendo do dia a dia. Sem a direção que Deus dispõe para nossas vidas, realmente não há outra coisa mais para fazer senão satisfazer as necessidades básicas e procurar um pouco divertimento no percurso. Gostaríamos algum tipo de realização, mas sem Deus não há como encontrá-la. Tal realização em nossas vidas é tanto fundamental às nossas necessidades quanto a água. Talvez continuemos exteriormente a satisfazer nossas necessidades físicas enquanto nossa alma está interiormente faminta por algum propósito na vida. Deus como nosso Criador compreende nossas necessidades melhor do que nós, então a esperança do Messias foi planejada antes do começo do mundo. Assim como o sol é o centro das órbitas planetárias, também a vida, a morte e a ressurreição de Cristo são o centro de todos os eventos da história. Todas as revelações até aquela época foram apenas em preparação pelo propósito eterno de Deus e levadas à sua culminação gloriosa nas obras de Cristo Jesus. Isto era a esperança que a samaritana procurava, e Jesus tinha todas as respostas pelas quais sua alma estava almejando.


Aplicação:


Como a mulher samaritana, temos um senso natural que nossas vidas têm tanto mais potencial do que conseguimos realizar. Pode ser que sentimos que no nosso trabalho poderíamos fazer muito melhor. Talvez nossa colocação não seja exatamente conveniente às nossas capacidades, ou talvez trabalhemos sob outros que parecem menos qualificados do que nós. Pode ser que é uma questão de envelhecimento, porque a despeito do fato que nossa alma parece permanecer sempre jovem, nosso corpo está sempre enfraquecendo. De qualquer jeito, todos nós desejamos maior realização da vida. Como cristãos, nossa cidadania não é deste mundo. Portanto, o que procuramos não se encontra aqui, e precisamos contemplar nosso Criador que já planejou satisfazer todas as nossas necessidade através da salvação do nosso Senhor, Jesus Cristo. Que façamos nossa alma exposta em prostração reverente perante Deus que pode satisfazer todas as nossas necessidades e adorá-lo em espírito e em verdade.

A Fonte da Vida

por Mike

16 de fevereiro de 2014

"Uma mulher de Samaria veio para tirar água. Jesus lhe disse, 'Dá-me de beber,' pois seus discípulos tinham partido para a cidade para comprar comida. Então a mulher samaritana lhe disse, 'Como tu, sendo judeu, pedes para beber a mim, sendo mulher samaritana?' (porque os judeus não se associavam com os samaritanos)." (Jo 4:7-9)


O pedido de Jesus para beber alguma coisa parece muito natural na maioria das circunstâncias, mas aqui, na reação da mulher samaritana, vemos o preconceito e animosidade que existia entre as duas culturas. Para ilustrar a frieza humana em geral, consideremos a parábola de Jesus sobre o bom samaritano. Na estória, um homem jazia ao lado do caminho, e um sacerdote e um levita passaram sem oferecer qualquer ajuda. É um comentário triste que provavelmente aplica-se igualmente na nossa cultura, que muitos passariam ao largo dos seus próximos que sofrem necessidades, fingindo que não os veem. Do mesmo jeito, muitos judeus durante essa época não condescenderiam em ajudar seu conterrâneo moribundo pelo medo de contaminar-se no percurso à Páscoa (Lc 10:30-37). Tanto menos um judeu ofereceria algo para beber a um samaritano mesmo se ele estivesse morrendo de sede. Porém, aqui vemos que a animosidade entre judeus e samaritanos é ainda mais profunda do que isto. É não apenas que um judeu não ofereceria uma bebida a um samaritano, ele mesmo provavelmente preferiria morrer de sede ao invés de pedir um copo de água de uma samaritana, especialmente sendo mulher.


"Jesus respondeu e lhe disse, 'Se soubesses o dom de Deus e quem é que te diz, "Dá-me de beber," tu lhe pedirias, e te daria água viva.'" (Jo 4:10)


A resposta de Jesus parece ser destinada a quebrar barreiras. Ele fala como se não houvesse barreiras culturais entre judeus e samaritanos, como se a coisa mais natural no mundo fosse que a samaritana pedisse algo para beber dEle, se ela apenas soubesse o que Ele tinha para oferecer. Jesus é Senhor sobre toda a criação e tem o direito de exigir reverência humilde dos Seus sujeitos, mais ao invés de fazer isto, Ele colocou ao lado Sua realeza e humildemente Se rebaixou ao um nível para que todas as barreiras sociais pudesses ser esquecidas. Ele conversa com ela numa maneira simples como um ser humano a outro sobre um assunto cotidiano, algo tão comum como um copo de água. Portanto, Sua resposta é convidativa. Ele cria condições de equidade para que possam falar como iguais sem referência a nacionalidade, gênero ou qualquer outra coisa que poderia interferir com a comunicação interpessoal.


"A mulher lhe disse, 'Senhor, nem tens algo para tirar água, e o poço é fundo. Donde pois tens a água viva? Tu és maior do que nosso pai, Jacó, que nos deu o poço, e ele mesmo bebia dele, e seus filhos e seu gado?'" (Jo 4:11,12)


Apesar dos esforços de Jesus para fazer a comunicação fácil, parece que a mulher ainda está resistente à ideia de confiar neste desconhecido judaico no poço. Quando se passa a vida sendo chamado inútil por causa da falta de alguma qualidade essencial, a reação natural é provar que não é verdade. Pode-se provar que a qualidade realmente é presente, ou que qualquer qualidade que tem no lugar daquela em falta é suficiente boa ou melhor, ou pode-se tentar provar que simplesmente não é importante. No caso da samaritana, era seu próprio sangue. Os samaritanos eram desprezados pelos judeus porque ou eram completamente gentios ou, na melhor das hipóteses, judeus mestiços. Eles eram desenraizados das suas próprias terras e replantados numa terra estrangeira. Eles perderam seu país e seu patrimônio, e para agravar a situação, eles eram desprezados pelos seus vizinhos porque seu sangue era de algum modo inferior. O sangue, que por todas as aparências parece tão vermelho como sangue judaico, por alguma razão fez desta mulher objeto de zombaria. Então, sua reação foi apelar a Jacó, um homem com quem ela possivelmente não tinha parentesco algum.


Porém, a questão não era isso somente, porque o sangue significava salvação. A esperança de Israel dependia de ser descendentes de Abraão, então os samaritanos tinham um interesse ainda maior em ser livres do seu legado pesado, pois não foi apenas uma questão de ser de uma raça inferior, era também uma questão de segurança eterna. Talvez amedrontava o coração dos samaritanos ser considerados os amaldiçoados de Deus por algo sobre o qual não tinham qualquer controle.


Portanto, pode ser que era comum entre os samaritanos reivindicar Jacó como seu pai. Afinal de contas, os judeus não tinham uma maneira de verificar quais dos samaritanos tinham sangue judaico, e por reivindicar o patrimônio judaico, os samaritanos podiam silenciar muito da crítica. Se os judeus renunciassem seu próprio parentesco, os samaritanos podiam inverter a situação e ter suas próprias razões de acusar os judeus. E ainda se não era verdade, e ainda se não tinha qualquer apelo real às promessas divinas, ao menos tinham alguma coisa à qual apegar-se, ainda que fosse só uma esperança efêmera inventada pelas sua própria imaginação. Isto foi melhor do que nada. Preferíamos utilizar qualquer tipo de auto-engano que pode prover uma centelha de esperança do que viver todo dia sob a sombra do desespero. Apegar-se à esperança de Jacó como um pai que ela realmente não tinha foi melhor do que pedir água a um judaico desconhecido, especialmente quando Ele nem sequer tinha um balde.


"Jesus respondeu e lhe disse, 'Todo o que beber desta água terá sede de novo, mas quem beber da água que eu lhe der não terá sede jamais, mas a água que lhe der se tornará uma fonte de água jorrando para a vida eterna.' A mulher lhe disse, 'Senhor dá-me dessa água, para que não tenha sede nem venha aqui para tirar água.'" (Jo 4:13-15)


Jesus estava oferecendo a vida eterna à samaritana que era talvez entre os destinatários mais improváveis de tal graça. Porém, foi inesperado por causa de uma interpretação estreita das intenções originais de Deus. Para entender a cisão entre os judeus e samaritanos, é importante considerar a bênção original recebida pelos judeus. Como descendentes de Abraão, receberam a promessa de Deus que seriam uma grande nação (Gn 12:2), e quando os israelitas chegaram para habitar sua terra prometida, Deus expeliu muitas nações de diante deles. Deus lhes mandou destruir seus meios de culto e não misturar-se em matrimônio nem fazer qualquer aliança com eles (Ex 34:10-16). O propósito destes mandamentos foi para afastá-los da influência pecaminosa das outras nações e manter sua fidelidade a Deus.


Deus tem o direito de abençoar qualquer nação como bem entender, mas descobrimos depois que esta bênção foi para quem tem a fé de Abraão (Rm 4:16). Abraão não foi apenas o pai de uma nação mas de muitas nações (Gn 17:5). Ele é nosso pai não por sangue mas nosso pai espiritual na fé. Então, há uma interpretação mais abrangente à respeito dos gentios expulsados da terra prometida. Os israelitas foram proibidos a casar-se com eles ou ter qualquer outro tipo de aliança com eles para que eles não tivessem qualquer laços ou obrigações que lhes poderiam dificultar em evitar seus costumes. O que se faz durante seu casamento, por exemplo, quando a família da noiva espera uma homenagem diante seus ídolos? Todavia, esse tipo de situação pode surgir até entre os próprios judeus. Um judeu, ao casar numa família impiedosa, podia achar-se seduzido a participar nos pecados dela. Portanto, a interpretação mais abrangente da lei de Deus aqui tem nada a ver com a raça ou o sangue. É simplesmente um de muitos princípios designados para manter o povo de Deus santo e fiel a Ele. Quando Deus disse que Ele ia fazer Abraão o pai de muitas nações, isto incluiu todos os samaritanos que chegariam à fé em Jesus Cristo. Ele derrubou a parede da separação (Ef 2:14), e o que Ele tinha a oferecer foi muito melhor do que aquilo que foi supostamente herdado de Jacó. Ainda se eles fossem seus descendentes, isto em si mesmo não provinha qualquer esperança para a eternidade, e o poço de Jacó só satisfazia a sede durante o curto prazo. Jesus, por outro lado, ofereceu a samaritana uma fonte celestial, jorrando água viva para toda a eternidade.

A Paragem em Sicar

por Mike

09 de fevereiro de 2014

"Então como o Senhor soube que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João (embora Jesus mesmo não batizava, mas seus discípulos), ele saiu da Judéia e partiu de novo para a Galiléia." (Jo 4:1-3)


A rota mais direta de Enom para a Galiléia não era através de Sicar (vs. 5), então antes de começar Sua jornada, Jesus provavelmente tinha voltado para Jerusalém e descoberto que a rixinha que tinha surgido em Enom agora produzia efeitos ali também. Pode ser que os fariseus estavam interrogando pessoas sobre a identidade e localização de Jesus, assim como eles fariam numa ocasião mais tarde com um homem cuja visão foi restaurada por nosso Senhor (Jo 9:13-34). Aqueles que foram batizados pelos discípulos de Jesus talvez agora enfrentassem motivos para duvidar de Jesus por causa dos fariseus. Assim como Jesus tinha posto em causa as práticas e autoridade deles no templo, eles também poriam em causa a autoridade dEle, e os penitentes teriam que suportar uma prova da sua nova fé. Eles teriam que decidir se continuariam a buscar a verdadeira esperança oferecida por Jesus, ou voltar ao conforto de números entres aqueles que vagueavam sem rumo. Alguns esconderiam seu dom recém-adquirido sob uma rocha, e outros o proclamariam do topo do monte. Algumas das sementes recém-semeadas cresceriam e dariam fruto, enquanto outras seriam consumidas pelas ameaças do seu meio ambiente, e o Evangelho espalharia segundo seu curso natural. Então, quando Jesus viu os problemas começando a desenvolver entre os fariseus, talvez tenha percebido que as condições eram perfeitas para as sementes que Ele tinha acabado de semear. Durante tais circunstâncias, não adianta constantemente atentar-lhes como se nós mesmos pudessésemos fazê-las crescer, mas antes, é o tempo para confiar em Deus para dar o crescimento (1Co 3:7)


Então o tempo era propício para Jesus sair da Judéia e procurar outros campos nos quais semear as sementes do Evangelho. Os fariseus Lhe podiam causar problemas de várias maneiras, perscrutando as pessoas às quem Ele ministrava e ameaçando Sua liberdade ou talvez até Sua vida. Como Deus, Ele não tinha que preocupar-Se com pessoas perseguindo-O ou intrometendo-se nos Seus negócios. Porem, o ato de tornar-se carne envolveu-O esvaziando-Se como Deus e sujeitando-Se às regras básicas do nosso mundo (Fp 2:7). Como homem, Jesus participava nas obras do ministério da mesma maneira que nós fazemos, levando em conta a coordenação de tarefas cotidianas. Ele também tinha que pensar sobre outros sabendo quem Ele era e onde estava, e sobre como o tempo e a geografia podem ser aliados quando é conveniente quebrar os canais de comunicação. Partir de Jerusalém Lhe daria tempo para conduzir Seus negócios mais livremente sem os impedimentos dos fariseus no Seu encalço.


"E era-lhe necessário passar por Samaria. Então ele veio para uma cidade da Samaria chamada Sicar, junto da região que Jacó tinha dado a José, seu filho, e havia ali o poço de Jacó." (Jo 4:4,5)


Uma daquelas tarefas cotidianas que Ele tinha que considerar foi a melhor maneira de chegar na Galiléia. A escolha óbvia foi tomar a rota mais curta na rua que passava através de Samaria cujos habitantes foram objetos da hostilidade judaica. Eles foram principalmente imigrantes com alguns judeus mestiços habitando no terreno que tinha sido a herança de José e seus descendentes. Durante o reino do rei Oséias, os descendentes de José bem como os outro israelitas foram levados para fora do país depois de ser derrotados pelo rei Sargom II da Assíria. No seu lugar, o rei assiriano tinha trazido estrangeiros das cidades Babilônia, Cuta, Ava, Hamate e Sefarvaim (2Rs 17:24) para viver e desenvolver o terreno para si próprios. Sendo de várias regiões e culturas do império assiriano, este povo trouxeram consigo seus deuses, e a Samaria se tornou um centro de algumas das piores práticas de idolatria jamais conhecidas, inclusive o sacrifício de crianças. A brecha no relacionamento com os judeus foi acentuada mais por outros episódios na sua história. Quando os judeus retornaram do seu exílio na Babilônia, os samaritanos ofereceram para ajudar na reconstrução do templo, mas sua ajuda foi recusada. Em retaliação, os samaritanos impediam os esforços construtivos dos israelitas (Ed 4:1-4) e mais tarde construíram seu próprio templo no monte Gerizim. Quando a revolta irrompeu com os Macabeus contra a helenização de Antíoco Epífanes, os samaritanos se renderam e dedicaram seu templo a Zeus Xênio. Este templo foi destruído mais tarde por João Hircano, um sacerdote e líder dos Macabeus, em 128 a.C.


O fato do texto dizer que Jesus precisava passar por Samaria não foi uma desculpa para Sua presença ali. Com efeito, era muito comum para os judeus passar por aquele caminho enquanto voltavam da Páscoa. O significado mais óbvio do versículo é que as circunstâncias determinaram que Samaria foi o lugar mais prático para estar na ocasião. Porém, o versículo também pode significar que foi necessário como uma parte do plano de Deus. Neste caso, Jesus precisava passar por Samaria porque foi ali que a Providência tinha resolvido que as próximas sementes do Evangelho deviam ser semeadas. Seria um gesto de generosidade divina para um povo imerecido que Seus discípulos certamente eram incapazes de prever. Daquela maneira, as sementes não somente seriam semeadas nos corações dos samaritanos mas nos corações dos Seus discípulos também para exibir uma faceta inesperada da misericórdia e da graça de Deus para até os gentios mais desprezados.


"Então Jesus, cansado da jornada, se assentou ao lado do poço. Era cerca da sexta hora." (Jo 4:6)


Jesus chegou em Sicar durante o calor do dia acerca da sexta hora, que seria mais ou menos meio dia. Ele estava abatido de caminhar pelos montes de Samaria e achou o poço de Jacó um lugar conveniente para descansar um pouco. Nós vemos aqui uma das referências mais notáveis da Sua humanidade. Quando Jesus se tornou um homem, Ele não veio como alguém que se destacava devido a Seu vigor ou beleza física. Em Isaías se encontra uma descrição da aparência de Cristo: "Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos." (Is 53:2) Jesus veio para ser muito comum no Seu aspecto, para que as pessoas comuns pudessem identificar-se com Ele como alguém que experimentou toda a gama de afeições humanas. Ele sentiu o que sentimos e sofreu o que sofremos. Ele desfrutou momentos de alegria e lazer com amigos e família, e chorou ao lado daqueles que amava enquanto lamentavam. Sua encarnação pode ser vista como uma parte da mensagem de Deus para a humanidade, não somente para dizer-nos, mas para demonstrar-nos a possibilidade de um relacionamento significativo com um Deus transcendente e santo, para mostrar-nos a largura e a profundidade da compaixão divina e para delinear-nos os diversos aspectos do amor divino em todas as suas perfeições.


Aplicação:


As sementes derradeiras para serem semeadas aquele dia eram aquelas que Jesus semeia nos corações daqueles que ouvem ou lêem deste relato da Sua visita a Sicar. Saber quem é Deus em toda a plenitude da Sua perfeição seria esmagador para qualquer mortal, mas Jesus veio para mostrar-nos que Deus em toda a Sua santidade é também acessível, e que um relacionamento com Deus não é apenas possível mas também garantido para aqueles que têm fé em Jesus Cristo. Ele veio para compartilhar seu dom da vida até entre aqueles que são mais desprezados pela humanidade. Não há barreiras de raça, gênero ou nacionalidade ao amor de Deus em Cristo Jesus.